sábado, 2 de junho de 2012

Dia 21 de Maio de 2012.


     Nossa, amanheceu e estou novamente em mais uma segunda feira... Potz grila. Que cansaço, estou todo dolorido, que fim de semana! Um fim de semana que nao sai da cabeça, um fim de semana feliz; o Autônomos ganhou todos os três jogos que disputou(o que é um tanto raro) e aconteceu uma festa de arromba na Casa Mafalda, estava lotada, estrumbando e nela estavam alguns convidados especiais; boa parte de meus novos amigos de CCJ, em um ambiente adverso ao que estamos acostumados a nos encontrar, num lugar que significa muito pra mim, foi uma loucura - é uma pena que eu não lembre muito do que aconteceu devido ao fluxo alcólico no decorrer da festa, mas isso já estava no roteiro e não me impediu de fazer as atividades do dia seguinte(domingo)... É, lembrei por que está tão dificil de execultar o "salto mortal" - é assim que eu chamo o pulo que eu dou todos dias da cama de cima da minha beliche até o chão - aterrizagem segura apesar da dor, o que nem sempre acontece. Bem... Estou pronto para o dia, destino: Vergueiro - Centro Cultural São Paulo.

     Após o trajeto até a Vergueiro pelo subterrâneo da métropole caótica, me deparo com Bruno logo na entrada do CCSP. Cigarro acendido, tragada vem tragada vai e chegam juntos o Daniel e Rodrigo. Nem lembro como tinha sido a última e única vez que tinha entrado no CCSP. Após passarmos confusamente em meio aos corredores de vidro do espaço, finalmente encontramos mais alguns dos outros companheiros de Tomie. Aos poucos o restante vai chegando e não demora muito para que a festa ocorrida sábado a noite na Mafalda se tornasse o assunto principal da galera; risadas e relatos ajudam a refrescar minha memoria e alguns relatos apenas constataram que o apagão da minha memória foi maior do que eu imaginava... Que merda! Que vergonha! Como pôde ter acontecido tanta coisa e eu não lembrar nada?! Maldita vodka.

     Com a chegada de quase todos os membros da nossa formação cultural nos unimos em uma roda ao ar livre, sol agradável, árvores e o chão; bancos são dispensados, mesmo denunciada as marcas de bombardeios aéreos das cagadas brancas dos pombos nós nao hesitamos em sentar e começarmos ali mesmo a nossa conversa daquele local escolhido para a visita. 
- Opá, aí não pode sentar.. 
Diz o segurança, nos alertando que estávamos sentados na faixa especial para orientar deficientes visuais. Ufa, é só isso, nada demais, que bom. Iniciamos o papo falando da visita da semana passada(se não estou enganado)no museu Lazar Segall, sobre o CCSP e como seria conduzida nossa visita. Trocamos ideias de nossas experiências que tivemos no CCSP; só tinha ido uma vez com a escola há muito tempo, porem tenho uma recordação muito apagada de como foi esse dia - que foi apagado com o tempo e não com a vodka do fim de semana hehe. Risadas entoam quando lembro que passava muitas vezes em frente do CCSP a caminho da casa da vovó e imaginava que aquilo fosse um estádio de futebol, não um centro cultural; nao falei mas meu irmão tem parcela de culpa nessa observação "futecentrista", ele viajava mais do que eu. Poxa vida, lembrei da minha vó... Pô, que lugar legal, bem entrelaçado com a cidade, um lugar possível de entrar e nem perceber do que se trata.

     Ai minha pernas! É hora de levantar do chão e formarmos outra roda com os educadores do CCSP, agora com cadeiras e teto. Ao contrário do que havia acontecido no Lasar Segall a conversa foi mais estimulante e houve interação dos presentes. Por se tratar de um espaço com algumas semelhanças ao CCJ tornou-se bem facil discutir algumas questões cotidianas como o "ponto fixo", o que fazer? Luciano do CCSP diz em explorar as zonas mortas do local(?), como fazer acontecer mudanças com um tempo de serviço já pre-determinado? E a sinalização do espaço com o entorno? Como melhorar essa comunicação? Quais sao os nossos limites como monitores? Somos educadores, mediadores..? O que é ser educador ou mediador em um centro cultural? E a política disso tudo? Como ela nos atinge? Esta ultima me desanima as vezes quando penso muito, o mercado é quem dita esta política, a terceirização de serviços públicos(não só na cultura) e bancos administrando diversos espaços da cultura são reflexos da dominação mercantilista  sob a política pública, isto dificulta e trava as articulações de transformações nesses espaços; mas claro, devemos sempre explorar nossos limites, creio que seja com insistência que descobrimos brechas para por em prática ações que desejamos, enfim... Esta questão é praticamente inesgotável... 
     Ufa, hora do almoço. Na hora certa, a fome já estava batendo e eu já estava dispersando da conversa. 

    Pegamos nosso rango e decidimos comer no terraço. Um vasto pedaço de grama em meio concreto, asfalto e aço acolhe agente, o sol permanece agradável e todos se sentam na grama para saborear o almoço - menos Mateus que tem medo do sol e apareceu somente depois de comer. Reflito com o Bruno, "pô, esse lugar aqui é muito louco, mesmo com o barulho dos carros e das obras na calçada né.." é incrível como qualquer pedaço verde em São Paulo se torna um espetáculo, deveria ser totalmente normal espaços como este... E ainda chamam urbanização de progresso. Na segunda metade do intervalo um dos monitores/educadores do CCSP(no qual esqueci o nome) sobe no terraço onde estávamos e puxa alguns assuntos referente a nossas "correrias", bem bacana essa aproximação. Depois o mesmo conduz a visita junto de uma companheira de trabalho, juntos deles todos nós percorremos pelos espaços do Centro Cultural São Paulo: A administração, um ambiente espaçoso e confortável com um enorme jardim; depois passamos pela biblioteca, é gigante, dezenas de estantes, palco com platéia, exposição... Ao entrar descemos por uma rampa em meio ensaio de alguma ópera, na qual aplaudimos enquanto caminhávamos - deve ser mesmo muito difícil cantar assim mas Ô COISA CHATA hehe. Fomos também a uma horta com alguns pezinhos de sei lá o quê que ficavam no enorme gramadão do terraço com visão pra 23 de maio, nos contaram das dificuldades que tem em manter a modesta horta, atividades que ocorrem no gramado, até sugestões de como desfrutar do espaço. Escolhemos ali para tirar uma foto e dali partimos para o subsolo, lá vimos uma quadra dos funcionários camuflada no meio do estacionamento, uma sala com um monte de coisas para os funcionários "fazerem arte", zoar, ou como o próprio monitor disse, "pirar" e a salas dos operários, a linha de produção do CCSP, máquinas que eu nunca tinha visto, prensas, papeis, flyers, cartazes e etc. No lixo uma papelada desperta a atenção e interesse de alguns de nós, um monte de papel diferente, detalhes, faixas simetricamente cortadas...Toda aquela bagulhada passa a dar ideia de criação e acaba ganhando vida para alguns, como a Mari, a Thamata, a Natame e sei lá mais quem... Legal.
    Bom, se me lembro da ordem dos fatos os monitores se despedem e encerram a companhia após sairmos da "fabriquinha", foram bem gente boa. 
    
    Em alguma sala do subsolo voltamos a nos formar em roda para conversarmos sobre a visita, pelas caras e conversas parece que agradou a todos apesar de alguns(como eu) esboçarem cansaço. Queria ter conhecido o mito do CCSP citado pela Angela, a "mulher tatu", lenda viva que mora lá em algum buraco misterioso... Sinistro. Gisele então começa a apresentação de sua "correria" e a historia de fatos que marcaram sua vida e influenciaram na formação de seu caráter, seus ideais e etc. Muito disso eu já conhecia das conversas na recepção em diversas tardes pacatas do CCJ, em que eu procurava um lugar fixo para ficar na ausência de ter o que fazer e ter aonde ir; foi legal ver a apresentação, a simplicidade com que foi feita, a frieza dela em se expressar frente a todos as suas particularidades e peculiaridades... Destaque para as fotos nao-digitais passada a todos de mãos em mãos, belas fotos. Uma camarada que admiro muito. É nóis, Gi. 
   Após os aplausos e perguntas para a Gisele, Daniel começa a ler o registro da visita de segunda feira passada no Lazar Seagall, discutimos mas sem muitas prolongações...Minha mente já está longe, que cansaço... Pelo jeito não só eu que estou nesse clima e então somos vencidos, passeio encerrado pela fadiga. Apresentação da Mari que iria ocorrer fica pra próxima segunda. Cansamos.. mas não o suficiente para evitar a galera de dá uma "botecadinha" final. Tchau CCSP, olá bar... 

sábado, 28 de abril de 2012

Registro Natame

Ao chegar no CCJ dou bom dia ao segurança e não encontro mais ninguém, estranho, não cheguei tão cedo assim. Depois de algum tempo alguém abre o silêncio, era o Luiz, que também compactuava com o meu sentimento de ausência, ausência dos monitores, do pessoal do Tomie e do lanche. Será que o encontro é aqui mesmo?
Tanto é, que de repente chegam todos, um atrás do outro, como se combinassem.

O tal sentimento volta a tona, ausência, agora pela voz da Angela. A ausência do Mau justificou-se pelas suas andanças e trabalhos, a ausência da Danuza, ninguém soube explicar, cadê aquele bom dia sempre alegre? Por fim, fala-se da ausência permanente de um companheiro, um cara que além de companheiro de trabalho tornou-se um amigo. Sinto sua ausência como o crescer de uma voz, mesmo distante.

Logo em seguida ouvimos o registro da Gisele, objetivo, conciso, simples, direto. Questiona-se sobre o ideal do grupo, a cara do grupo, e defende bravamente que todos devem ter 'fé na ideia', acho super importante essa colocação. Talvez essa seja a resposta para algumas das questões apresentadas no registro e pra diversos outros impasses.

Chega então a vez da Mari apresentar sua correria: fotografia. Começa contando seus vários percursos, me identifico. “Estar aqui é resultado dos seus percursos”, ela diz, acredito que não exista uma receita, a norma dum caminho certo, estreito, de cada pessoa viver. Mas um caminho tem, tem que ter, caminho não, percurso, e esse não precisa ser retilíneo, regrado ou imposto, o negócio é deixar a vida ser a doideira que é, deixando levar-se pelo que te contamina e move.

Ela fala de sua experiência no exterior, mostra sua série “respiradores” e pega um gancho de sua explicação sobre a série para dizer como gosta de trabalhar com o desconhecido, de se perder, me identifico de novo.

Seguimos com Queens, Parônimos, Reversos,  e tudo não passa de formas   para apresentar a realidade com os olhos da vertigem, olhar é interpretar.
Num súbito é questionada pelo Felipe: no meio de tanto trabalho pelo exterior, onde está o Brasil? Sinto nessa pergunta, mais uma vez, o sentimento de ausência fazer-se presente. Mas ah! Eis que surge um orelhão em forma de arara, aí está o Brasil.

Os produtores vão chegando, e começamos a ver o documentário Janela da Alma, já vi esse documentário umas três vezes e me pego pensando ainda nas mesmas questões:
1- vivemos num mundo que perdeu a visão, as pessoas estão cegas para o que realmente importa
2- não quero ver o mundo pela realidade que ele mostra
3- vivemos ainda na caverna de Platão?
4- o mundo esta fora de foco ou eu estaria?
5-Pequeno Principe tinha razão? o essencial é invisível aos olhos?
Infelizmente o projetor não nos deixou ver o documentário até o final e partimos para o famigerado almoço.

Na volta, é proposta uma atividade, trabalhar com as perspectivas do olhar. Devemos sair pelo entorno e tentar levantar alguma questão que envolva cultura, deve ser um ensaio fotografico de 6 imagens, sem discurso, sobre o entorno. São divididos grupos, e cada grupo deve ter um produtor, Ângela diz que o intuito de trazer os produtores para os encontros é o de integrar-los com os monitores e compartilhar experiências. Mas sinto, vejo, e não generalizo, que essa integração e essa troca de experiências é praticamente nula, alguns deles se mostram totalmente inacessíveis, e sinto novamente aquela sensação de ausência vinda de alguns pontos, ausência de espírito, de boa vontade, e uma dificuldade enorme de baixar a guarda.
Fomos pra rua, no meio da rua todo tipo de vida, difícil escolher o que fazer, sons se multiplicam, imagens se multiplicam e nos sentimos perdidos. Depois de muitas tentativas decidimos fotografar pessoas que, em meio a correria cotidiana, resolvem parar, afinal homem é pausa, vírgula, tem hora que não dá.

Voltamos e os trabalhos foram apresentados, fotos artísticas, conceituais, não! Entre um gole e outro de vida, percebe-se que você vive uma mentira. Quase nenhum comentário é feito sobre as fotos, será que elas falavam por si mesmas ou a proposta não nos atingiu como deveria?

Por fim, depois de algumas considerações, Angela pergunta: “Será que somos só produtos da cultura?” O silêncio toma conta como uma forma de proteção, pois qualquer coisa dita só agravaria o peso do momento com a densidade das palavras.
E para um encontro marcado por ausências, nada mais justo do que terminar assim, em silêncio. Mas sem desespero, afinal, todo encontro é um último, e o último é sempre marcado por um recomeço.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Registro Danuza Novaes segunda-feira dia 02/04/2012 no Tomie




Quando cheguei não havia começado, encontrei com o Dani quando estava vindo. Perguntei pra Natami, se havia dado tudo certo com o registro, um sorriso querendo espantar o nervoso tomou seu rosto. Não sei porque,  o registro foi sensacional, quem dera eu saber escrever dessa forma.
Quando ela começou a ler, a ausência de palavras foi que não faltou pra descrever a ausência daquele dia. Confesso,  fiquei feliz em saber que consigo encorajar com meu sorriso, faço isso de coração. Não houve muitos comentários sobre o relato dela, ausência... (risos) acho que a Mariana queria justificar algo, se sentiu incomodada e o Felipe que já havia lido, eita ansiedade, não sabe brincar...

“Os livros criam novas amizades e formam laços de companheirismo até com quem não conhecemos. O poder da palavra escrita é imenso. As reverberações de empatia e de sentimentos compartilhados que ela desperta podem transcender fronteiras nacionais e derrubar as muralhas das diferenças ideológicas e étnicas — de fato, a palavra escrita pode transpor o abismo que separa culturas e até mesmo o tempo” (Terceira Civilização, edição no 406, 10 de junho de 2002, p.8).
Coincidência? Não, prefiro sempre optar por sintonia. Antes de chegar no Tomie, estava lendo meu jornal budista e havia um caderno especial com titulo  ”o poder das palavras”, nem havia me lembrado da programação do dia, e quando a Ângela apresentou sua correria, essa frase me  veio a mente.
Pra mim  não foi cansativo, gostei da Bilioteca de Emergência, da proposta da Lavanderia Editora, o carrinho de mão,  e de muitas outras coisas que ela apresentou naquele dia.  Gosto da frase “o fim do cem, fim“ me lembra Marcelino Freire. Gosto também da idéia de transformar a realidade com as palavras. Na verdade, tudo que tem potência  e reverbera vem da paixão.

Logo em seguida, fomos para experiências práticas, de ouvir,  e de ler para o outro. Eu me permiti ser experimentada por essa sensação, e gostei. Não reparei muito nos outros, entrei na proposta, interiorizei a proposta, ou seja, viajei, risos.

Pausa. Pausa para a  roda da comida, o lanche veio depois mas veio bem farto! Tinha um biscoito muito bom, acho que o Willian sabe o do que era, não consigo me lembrar...
Continuamos a roda mas agora era para repetir a leitura fragmentada. Não me lembro do texto, eu  brinquei de ler, a maioria ali, gostou de brincar com o texto também. A linguagem falou mais que o conteúdo. Perigoso.
Último exercício antes do almoço e não menos importante, os papéis azul e branco. A proposta era: individualmente cada um escolher um lugar que está morto, e escrever uma história extraordinária que viveu. Em grupo escolher uma das histórias, e inserir um elemento fantástico nela para depois, a gente descobrir de quem era a história.
 Bem legal, né!
Pensei muito sobre esse exercício e na verdade, a gente tem tantas histórias extraordinárias....o que acontece é que não a vemos assim, transformamos tudo em rotina,  prosaico. Somos condicionados a não imaginar, a perder a fantasia de viver a vida. Tudo nesse exercício inspirou meu lado artístico, quero compor uma canção com a história da pulga, um coco, será que as meninas topam?

Almoço, nossa! Virei The Flash, fiquei com medo de não pegar meu salário mas deu tudo certo, enfim... cheguei uns minutos atrasada e já estava rolando o vídeo do “Caçador de tufões“,  demorou um pouco para minha mente retomar ao grupo, mas voltou. Voltou quando vi o Thauam. Com certeza ele não vai só e não nos deixará só, as pessoas quando vivem de verdade, marcam. Sei muito pouco de política, pouco de tudo mas sinto mais do que sei, e sentir torna muito mais as nossas falas verdadeiras, o Thauam está provando que não vive só de discurso, espero vê-lo vivendo de verdade mais e mais!
Finalizando essa impressão sobre o dia, tivemos o último exercício que era retratar a cultura do bairro em vídeo.  Vários contratempos técnicos, cumprimos o combinado e mesmo saindo bem diferente da proposta inicial de cada grupo, houve um olhar otimista para todos eles. Não tivemos muito tempo para falar sobre o que fizemos, mas isso pra mim foi bom.
Senti satisfação em viver o dia 02/04/2012.
Se for pra resumir em uma frase, resumiria em, riqueza de espírito nos faz mais distante de sermos levados a seguir meramente o fluxo do que dizem ser o natural o da vida.
Fim?!

Relato-falas Tomie Ohtake, 12/03/2012. Por Willian Emerson


Vo tentar falar toda a minha impressão sobre o dia sem dar pausa no gravador não importa o que acontecer aqui ao meu redor, então se preparem... pronto?... Era uma vez no tommie... cheguei mais ou menos por volta das 10 e 10 por causa do transito horrível dessa cidade super lotada. Começamos por volta das 10 e 20 e ouvimos o relato da mari. Ela jogou frases no chão como se fossem slides com perguntas que nos indagavam questões do dia da oficina do Fred. Com muita objetividade acho que foi o relato que eu mais entendi até agora... já tava esperando alguém chegar com uma performance muito loka...

Entre muitas coisas que ela disse, me marcou uma pergunta: qual é o nosso ideal? Acho que acabei fazendo esse relato com base nela... precisamos ter um ideal ou será que podemos nos unir só por nossos laços de amizade?

Seguimos para a discussão sobre as palavras que ouvimos. O objetivo que nos coloca é que poderemos saber o que foi ultimo dia no tommie, mas o máximo que conseguiremos é enxergar o dia pela visão de cada um. Se você ouve é porque eu falo. Por alguns motivos a parte eu não consegui parar de pensar antes da discussão no grau de liberdade que temos para nos expressar aqui dentro. Uma anotação, uma lista, uma tabela... Será que existe um big brother?

Da discussão pude perceber o quanto é difícil conseguirmos expressar nossos sentimentos através da linguagem escrita. Unir pensamento ao sentimento. Deve ser por isso que não há respostas para todas as perguntas. A realidade não está na história, mas em quem a escreve. A realidade está na cabeça de cada um.

É importante notar o quanto o grupo pode ser instintivamente opressor, e que apesar de ser formado pelas histórias de cada um, tem suas próprias raízes. Cada um traz consigo experiências e vivências que se unem e formam nossa instituição... ou pra não deixar o thauan triste, nosso partido de idéias... Não é de se surpreender que a principal arma das ditaduras tenha sido proibir o povo de se reunir.

Senti um pouco de angústia durante um momento da conversa. Quando cada pessoa começava a falar eu pensava o que muitos outros, lá fora, teriam a dizer. Infelizmente, a roda do Tommie não gira para todos. Imagina se girasse? É bem provável que o trabalho, as instituições, as idéias, o mundo mudaria... se pá até o nosso vale refeição aumentaria.

Seguimos para a explicação da oficina do dia. Devemos ir além do que é esperado e propor intervenções, não vai ser difícil já que tentamos criar algo novo desde que entramos. Isso me lembra que o ritmo do grupo não pode ser seguido por uma pessoa externa ao mesmo. Acho que a autoridade do grupo deveria ser predominante, mas eu nem sei se estamos preparados para isso. No final, todos arrumaram a sala, talvez isso seja um indicativo para responder a essa questão. Fazer o que não gostamos é o pior desemprego que existe. EU NÃO PENSO IMAGINO E FAÇO.

Nas discussões eu estava com bastante sono, acho que não contribui o quanto deveria. A Jô, a Mari e a Ângela também estão planejando, isso talvez demonstre que elas não se enxerguem como uma autoridade dentro de uma estrutura verticalizada. Isso é bom.

Como mudar um espaço com tantas barreiras? Ao meu ver a biblioteca é o espaço com maior afastamento dos usuários. Existem vidros que te impedem de entrar por onde quer, há detectores que nem te conhecem, mas já te julgam, há monitores que podem te enxergar como um intruso.
Pausa pro almoço. Ao voltar fomos recebidos pelas correrias do Maurício. Arqueologia e cultura. Interessante reflexão sobre a definição de patrimônio e a predominância de algumas formas de pensamentos cientificos. A atitude daquelas crianças em brincar com artefatos históricos demonstra pra mim uma forma de cultura mais significativa do que qualquer resquício com milhares de anos. Naverdade, duvido que os antigos não ficassem orgulhosos ao ver que suas criações ainda detém uma função depois de 3 mil anos.

O trabalho do Mau reflete a necessidade de atribuirmos novas funções aos espaços e objetos conforme a mudança de contexto econômico, político e social. Fazemos isso inconscientemente....
O que temos culturalmente independe de comprovação.
Voltando as discussões, tivemos muitas idéias para intervenções, mas acabamos restringindo a uma só. Paramos para um café.

Senhoras brancas, com roupas claras e cabelos cinzas estão em oficina nas salas ao lado. Pessoas que provavelmente não seriam minhas vizinhas, nem companheiras de ônibus lotado. Considerando que não sei nada sobre elas, pode ser que minha fala só reflita um preconceito latente. Mas isso merece uma reflexão em virtude da elitização que já vi ser criada em espaços de cultura inseridos próximos do centro econômico de São Paulo. Porque concreto pintado ainda é só concreto.
Voltamos a oficina. Mais discussões. Abrimos para a partilha de informações. Diferente do primeiro dia no Tommie, não sentia mais vergonha de ter que me expressar. Pelo contrário, me senti acolhido. (palavras jogadas) Jogo, corpo, vídeos, política, sono.... (palavras jogadas) Um após o outro finalizamos as falas partilhando o que decidimos nos pequenos grupos. Mas como ficou nosso povo? Tem a mesma vida dos bacana, mas não tem quase nada. Então faz assim: fecha os olhos. Para um poco. E, ouve o que os rios tem pra dizê...

quarta-feira, 21 de março de 2012

Ctrl C+ Crtl V...

Registro do encontro do dia 05/03/2012
No Instituto Tomir Ohtake – Oficina com Fred

Desde quando soube da existência do registro, sabia que minha vez de fazê-lo não tardaria. Minha ansiedade é maior que minha timidez e cá estou tentando construir um texto que descreva horas da reunião de seletos jovens.

Iniciamos o dia com uma carinhosa voadora no meio do peito “O Registro do Luiz”. Chefinho aparentemente tímido nos traz um novo formato de registro, uma performance. Um dialogo com a vida(que curiosamente usa a boina do Sema...??)(mais um parênteses - Luis eu escrevi isso antes dequela nossa conversa ta?). Vi questionamentos e aflições não ditos naquelas palavras. Quanto aquele menino que se acha ‘branco demais’ cresceu naquele gesto?Quantas perguntas ele respondeu pra si mesmo pra chegar ali? Quantas vezes a roda do Tomie já girou com ele? E o que fez daquele dia ser diferente?
Pergunta à Vida e ela, sendo vida com é, nunca afirma, nunca resolve, não conclui, é um ciclo onde temos que ‘nos permitir errar pra descobrir’.

O pacifico tio da biblioteca no meio dessa tormenta pede silencio ‘Por que eles falam tanto?’ Consegue, receio que até mais do que pretendia... e sorri. Parabéns Luiz, além do registro e a performance vi um Luiz que se permitiu errar. Tentar ousar não é fácil, parabéns!! GIRA TOMIE!!

Tentamos discutir sobre o que o Luiz jogou na Roda Giratória do Tomie, mas o silencio que ele tanto precisava não quer sair da sala. Sua presença friamente calorosa nos desafia como um quebra-cabeça de 5 mil peças, divertido mas, sem resultado imediato. Eu particularmente teria feito uma pausa, só para esperá-lo (o silencio) sair da sala, Nesse momento a Entidade Registro me escolhe. É hoje! Sem me anunciar seguimos.

Nosso convidado parece não estar ali. Deve estar conversando com alguém na net sobre esse excêntrico grupo. ‘E me tiraram de Brasília pra isso’. Bom minhas impressões estão equivocadas, ele estava anotando tudo.

Nosso convidado finalmente entra na roda. Fred. Sem querer muito que seja esse o rumo da prosa, se apresenta. Começam as avaliações. Será que ele é mala? Pô o cara tem uma puta bagagem. Ele é gago. Não rir. Na verdade nem, me deu muita vontade de rir.

Que loca a história desse cara. Um ideal que parte do que vivemos, sentimos na pele, no corpo como disse a Joana em sua apresentação pessoal, que por sinal também é um exemplo vivo disso. O ideal não veio do nada pra essas pessoas. Ai eu me pergunto: Qual é o ideal do grupo Jovem Monitor 2012? O que é latente em todos nós para que se transforme em ideal e lutemos por isso? O que somos?
Quando ele diz “Eu era uma tabua rasa de conhecimento” pronto. Captei vossa mensagem. Houve um link. Eu também sou uma tabua rasa, aqui no Tomie, eu também tive esse click quando eu cheguei. Quantos livros eu não li, filmes que eu não vi, historias e lugares que eu não conheço (Sarau da Brasa?? Que diacho é isso?) Quanto eu ‘perdi’ entre meus ensaios, concertos e estudos,viagens, ensaios, ensaios, cerveja, partitura ...Só foram experiências diferentes né?Isso é outra conversa.


O clima é estranho, quase tenso, porém, não mais que de repente nosso convidado solta uma aguda gargalhada. O alvoroço é geral. Todo mundo ri sem entender. Ri e se olha procurando uma resposta para aquele gesto (com exceção da Nathame que já atingiu um novo estagio e chora de tanto rir, não consegue controlar e sai da sala). Bem ainda pouco confusos mas mais relaxados vamos. GIRA TOMIE!!

Fred pede para que agora falássemos. Perguntamos ‘o que?’. Ele quer ouvir. Qualquer coisa. Começar pelo que temos, somos. Não me lembro quem mas, começamos a falar do CCJ, a Internet livre, a de pesquisa o uso dos computadores por crianças. Os problemas que achamos que ele teria a resposta. Ele traz questões que ainda não tínhamos jogado na roda, e que talvez sejam as respostas ou pelo menos um provável caminho para nossas questões.
O que é juventude? Qual a comunicação da Internet com a biblioteca? Por que o núcleo de Internet pra pesquisa esta la?O que é pornografia?

Me pego olhando para o Bruno e bem...ele esta com mais sono do que eu.

Percebendo nossa dificuldade com as perguntas delicadamente nos diz que se queremos resolver esse problemas temos que nos conhecer. O que é o CCj em mim?Tem que ter as raízes pra crescer o Baobá. Só que um Baobá não crece em dois anos.

Ta ta. Para tudo, vamos começar do começo: QUEM SÃO VOCES???
O silencio do Luiz passa pela sala, e de novo pedimos formatos, esquemas. Como assim? Que pergunta é essa? Que respostas você quer ouvir? Fred da de ombros e aguarda respostas. Depois de Ângela tomar a frente, as raízes vão aparecendo. Ela se vê no Meca-mobile, Matheus é o próximo e joga na roda a sua historia com o CCJ. Como uma das nossas oficinas repercutiu na vida de uma pessoa que agora esta ali, entre 18 pessoas que ajudam (ou pelo menos pretendem) fazer historias como essa mais freqüente.

A conversa continua, não estou mais entendendo nada. Anoto algumas frases que me chamam atenção mas perdi o contexto. (Vem Mariana, como você vai fazer o registro se nem entende o que eles estão falando?) E o Silencio do Luis volta pra sala de novo, mas não entendi por que. E Fred joga outra pergunta digamos curiosa. O QUE VEM NO CONTRATO DE VOCÊS? Resposta: mais risadas e mais olhares.
Fred continua questionando e apontand: Enquanto não tivermos um ideal, não temos por que/quem brigar por mudanças. Mudar pra que? Mudar o que e pra quem? Pra quem...Essa questão já é um clichê do programa. Quem é o CCJ, quem são os freguentadores? O que me incomoda de verdade é porque não foi respondido isso ainda? Quem tem que responder? Fizemos um questionário mas, cadê o resultado? Eu respondo por mim bati o olho, comentei com a Danuza algumas coisas mas só. Ponto, acabou ai meu contato. Quando chega à roda isso pula, como uma bola de pingue-pongue. Discutiremos mais um pouco no caminho para o trem, felizes por saber raciocinar, mas isso não resolve nada. Latência, Potencia, Realização e Atualização. Calma já chego la.

Ai ai to com fome!! Deveria ter acordado mais cedo pra tomar café em casa.

Nossa meu registro esta grande. Vou acelerar um pouco galera

Nosso mediador solta uma frase que merece ser registrada aqui. Todo espaço publico é propenso a intervenção do publico. Loco isso né? O espaço é para um publico, e o que esse publico vai desfrutar no espaço é decidido e organizado por um grupo de pessoas que não estão nesse publico. Como oferecer a quem não conhecemos algo que achamos que ele precise? E outra o publico do CCJ é loucura total! Misto e sei la, pra mim é uma sinuca de bico. Me perdoem se de alguma forma possa ter ofendido a direção do CCJ nessa fala, por favor me compreenda, é só uma linha de raciocínio embolada.

Fred exibe alguns vídeos mas minha concentração foi pro saco, to com fome. Parece um material muito bom, mas não consigo. Observo meus colegas e não sou a única desligada. Agora, vamos ao uso das maquinas, notes e tablets divididos entre o grupo e nos é proposta uma pesquisa sobre o que é cultura. Ainda mais dispersos, começamos a pesquisa.Os mediadores finalmente interferem no alvoroço e...almoço. Ótimo, estou com a maior fome e minha marmita esta delicia.

Puts! Tenho que abrir a conta. Vou correndo. Chego no banco, uma mulher só na minha frente. Beleza vai ser rápido, ainda da tempo de engolir a marmita. Esta demorando muito. Finalmente a mulher sai da mesa. Olho no relógio vejo que estou cada vez mais distante do meu macarrão com molho branco. Sento na mesa e entendo a demora,a atendente é nova. Viche, acho melhor nem me atrever a fazer o registro, não vou chegar na hora. Como você é enrolada heim Mariana, aposto que , se ainda fizer o registro vai ser na ultima hora, porque você não muda heim??? Merda, vou chegar atrasada!! Dito e feito! Volto pra roda com 15min de atraso e um burago negro no estomago.
OBS.: Agora são 2:49h de segunda-feira
 
Cada grupo apresentou sua pesquisa, algumas observações e não chegamos a uma resposta específica (ainda bem) mas a conversa foi boa. Comecei a me ver um pouco diferente como individuo no meu meio, o que eu faço, o que eu digo e como digo, o Sema virando descendente de italiano de repente. Essas conversas sobre o que é cultura, sempre cutucam nossa raiz de leve, viajei. Fui nos meus avós, minhas reuniões familiares, minha religião, o Tomie o CCJ.

Fred anota na nossa pagina coletiva LATENCIA, POTENCIA, REALIZAÇÃO E ATUALIZAÇÃO. Nossa me deu vontade de colocar isso no muro. O que é latente em nós, é um pouco redundante, volta pra questão da raiz de novo, mas, a forma com que ele organizou o ciclo de ações nessas palavras foi mágico pra mim. A Atualização precisa existir, precisamos nos reconstruir sempre pra construir e criar outra urgência, outra latência.

Assim vamos construindo nosso mosaico. Gostei do Fred, ele nos deixou material pra discussão pra mais umas duas reuniões pelo meno, infelizmente isso não aconteça como eu espero, é só a minha visão, talvez alguém já tenha absorvido muito mais do que eu, talvez as minhas discussões não seja, as mesmas necessárias pro grupo, assim como os freqüentadores do CCJ, é um grupo muito loco.
Muitas questões, muitos links. Ctrl C+ Crtl V, Ctrl C+ Crtl V, Ctrl C+ Crtl V, Ctrl C+ Crtl V...

quarta-feira, 7 de março de 2012

Registro V.I.D.A. - 27 de Fevereiro de 2012 - Luiz Augusto

Gostaria de lhe contar uma história...
Não sei quando ela começa... talvez no fim de semana que antecedeu o dia 27 de Janeiro, data que eu pretendo te contar. Ou talvez já venha de muito antes, desde o momento que eu queria fazer o registro. Bom, mas começa a partir de agora...
Recebo um beijo para poder acordar, o seu beijo Sra. Vida. Pois, sem ele não poderia acordar todos os dias. Levanto... Dou Bom Dia ao dia... Escovo os dentes... Café da manhã... Tirar a barba... Banho... Me trocar... Fone de ouvido... Pegar a lotação... Será que estou bem armado para poder enfrentar o dia? Ah! A quem eu quero enganar? Por mais armaduras que eu coloque o Tomie sempre irá me atingir...
Tomie no CCJ... Que calor infernal! Mais uma vez estou atrasado, mas fico feliz em saber que não sou o único. Ângela lê dois textos para abrir as nossas mentes – textos que infelizmente eu não consegui entender – e foi dada a largada. Gire, Tomie!
Algumas tremedeiras e gaguejos e começa o registro do Alisson. Um texto confuso ou um desabafo? Me fez refletir que nem mesmo as palavras escritas dão conta de expressar o que sentimos às vezes. O roteirista nos faz rodopiar em exemplos, histórias, desabafos e sutilezas, uma verdadeira confusão... fugas e mais fugas e o que fora escrito perde a importância. A ação começa, o corpo fala. E o rio de utopias deste registro como educação, política, taxa de natalidade, fascínio pelo o que é óbvio e como as coisas funcionam é onde estamos nadando agora. Sra. como eles falam! É bom, mas o silêncio também ensina.

– Somos egoístas e temos que suprir o nosso objetivo pessoal!

O controle foi perdido. No caso o controle do projetor. Mudança de espaço, sala de projetos e veja só uma coincidência! Joana e sua trajetória pessoal, cheia de projetos. Que história a da Jô! Engraçado como o nosso passado afeta tanto as nossas escolhas no futuro.
Agora uma utopia minha: queria não ter que escolher às vezes. Porque temos que ter uma opinião sobre tudo?

– Quem disse que estamos aqui para acertar? Você se cobra demais!

Construção de uma sociedade possível, a catraca como limitador, o que o corpo sente, o corpo em risco (como o meu está agora!), Cidade Luz e o refletir sobre a senhora. Esse é o caminho da Jô que nos é mostrado.
De volta ao espaço Sarau, temos os nossos amigos produtores para participar do encontro com a palestrante Amanda – o lugar mediador, atrativo ou não? Falas sobre a leitura pessoal de cada um... E então saímos para desmembrar o coração do CCJ.
Senhora? Porque nenhum monitor quis apresentar a biblioteca?
Me mantenho afastado para não perder o momento do registro... HQTeca cheia e mais calor... grupos se formam... espaço múltiplo gerador de conflitos, onde nós monitores somos os mediadores... produtores e monitores não se fundem na multidão... linguagem acessível para identificar melhor o espaço... uma memória: monitores e produtores não foram apresentados formalmente... romper com a biblioteca para iniciados... vejo uma borboleta voando a nosso encontro... utopias... flexibilizar o empréstimo... Quantos perceberam o vôo da borboleta? Sinto a necessidade de ir atrás dela, mas não a encontro...
 Almoço. Um momento para descansar e pensar no registro sendo atacante, defensivo ou mediador.
De volta ao Sarau, com um atraso enorme – será que este encontro foi planejado? – sobra apenas uma produtora na roda e vamos para a sala de projetos e problemas técnicos nos fazem falar de experiências que tivemos durante a semana que se passou: o gibi roubado e o jornal deixado por acaso e intencionalmente na mesa são mencionados... Nos distraímos mais e estamos falando de filmes e que por um lado positivo – eu não nego – pode vir a rolar uma troca de experiências com os freqüentadores, mas nada do que já fazemos no nosso dia a dia.
Uma frase falada pela manhã: “se concentrar para não perder tempo!”... Vida qual é o seu sentido?

– Se permita errar para descobrir!

A chuva desabava lá fora. E o vídeo das “Fiandeiras” começa e logo após o seu término nos vem um trava-língua.
– Vida, fale “bisbibliotecar na HQTeca!”
Mais conversa... e vamos bisbibliotecar na biblioteca e encontrar o que nos agrada ler... Reunidos no Sarau, somos divididos e iremos contar e ler nossas escolhas.
Trechos de texto são lidos, trechos com personalidades e bagagens diferentes, textos que viram histórias e histórias que viram um ponto de vista e quando todos estão reunidos, novamente caem numa discussão sobre revistas, política, imparcialidade, esquerda e direita... as conversas rolam...
Ângela e Joana voltam da reunião com os produtores... Senhora, porque a Ângela se manteve fora da roda?
E de volta ao centro, a experiência de ler para o outro é desfiada e tecida ao mesmo tempo – o ler em voz alta, a curiosidade pelo o que o outro lê, o saber ouvir, o sentido em explicar do que ler, o nervosismo de ler para o outro, a propriedade de você ler o que conhece, o cuidado ao ler e a mediação maior: o boca a boca também foram discutidos... acredito que foi o ponto alto do dia! Precisamos de ação!
Para concluir a rotação – sensação de movimento que é o Tomie - voltamos para a sala de projetos.
A história e as fotos do Centro Cultural são mostradas pela palestrante-oficineira... dois textos de Eduardo Galeano são mostrados, discutidos e lidos. Fim, e pela primeira vez que eu conheço o encontro da formação termina antes das 5h.

– Por que você me chamou? Só para contar isso?

Eu te chamei para dizer que está doendo e para dizer que ando muito confuso,  que as palavras por escrito não dizem a totalidade do que sinto e mesmo as palavras faladas soam tão tolas que prefiro me calar. Acho que estou ficando louco! Acredito que agora estou em pé de igualdade com o Tomie! E que o perdoar os outros, como a si próprio... dois muros enormes... acho que agora posso dizer que a catraca girou.







segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Registro - Alisson Monteiro - sobre formação ocorrida em 13-02

Bem vindos, ao fantástico mundo da literatura, eu sou Willie Wonka, e esse é o caminho pra você ver como se faz um reflexivo.
Uma pessoa reflexiva se faz assim, uma tigela de água misturado a camões, leve ao forno por 3 versos seguidos e repita-os até formar uma tigela de estrofes, derrame cada estrofe em quatro tigelas, e sirva os “poemas”. Uma dica para acompanhar, sugiro algumas mordidas de sentimentalismo e ódio positivo antes de quererem experimentar

Ali na roda, se nasce o ciclo, de quando liam pra mim, e eu era platéia de gingantes contadores de histórias, pessoas que olhava com admiração e poder, os via como meus primeiros professores, contadores de histórias, e hoje, venho aqui ter uma aula de como assumir seus postos.
Até que ponto virei tio? RS.... Até que ponto serei lembrado como o tio dos computadores? RS...lembra de quando a gente ia no ccj e os caras não deixavam a gente jogar, bons tempos....
Claro, sendo o mais pé no chão possível, a luz acabou, andamos 158 passos a noroeste em busca de uma região de conforto visual para melhor sobrevivência da espécie.
Claro, a luz volta, se faz uma roda de oração evangélica agradecendo a Eletropaulo e seus maravilhosos poste que conduzem eletricidade, e são dados 158 passos em retorno a posição inicial do bando culto, retornando a sala de porta redonda onde discutíamos como salvar o mundo, ou pelo menos o mundo de alguém, ensinando-os as imaginarem.
De certo modo, registro o grau de importância de cada um, quando se discuti numa sala por três horas ou mais, estratégias de abordagens de iniciação ao prazer dos estudo para crianças, quando se utiliza de 7 horas semanais de vida diária ao esforço pra tentar salvar um futuro cidadão se tornar um “número social” talvez em um importantíssimo acadêmico mesquinho, ou mais, quando se utiliza as melhores 18 cabeças a fim de melhorar talvez, 25% no nível social de um bairro.
Vc se pergunta, cadê os subprefeitos nessa roda?...Não, não é brasileirismo, achar que a educação depende deles, deles políticos, até pq, acredito eu que devo meu emprego a burrice do sistema educacional, que refletiu em uma merda total, sendo até digno de dizer, ufa, passei a tarde toda discutindo como fomentar o prazer por livros para crianças carente de um bairro, e não vi nenhum político nessa convenção....sinal que vai dar certo.
O que nos torna ousados, como se parte das minhas funções fosse tentar desfazer a merda que a escola faz ou preveni-los com gosto por literatura, pra quando estiverem com suas prováveis “aulas vagas” condicionados a funkearem pelos seus pátios caçando fêmeas férteis em bando, lhes bate uma indagação, ei, que Mané pegar muié gostosa fácil com vontade de “procriar” que nada, vou aproveitar dessa aula vaga pra ler “Poesias de amor, de poetas que não comem ninguém, por alisson monteiro, já nas bancas”.... É, nossa meta é diminuir em cinco anos a taxa da natalidade e substituir por tesão por leitura RS fácil fácil RS
Ironias a parte, sei que nessa roda, rolou seletividade, uma seletividade pra operar tarefas que, não sei como dizer, sempre quis fazer, se voltar contra o sistema educacional.
O ódio positivo, que mata a zona de conforto, que te faz ter medo do amanhã e estudar, que te acorda mais cedo pra não atrasar, o ódio negativo que gera abaixo-assinados, e livros de conceitos políticos, anárquicos ou comunistas... Mas seja lá como for, aquele mesmo sentimento de que nessa merda não posso ficar, nessa merda não posso viver.
Daí, em meio a isso, surge o CCJ, que nas palavras da mediadora, que me fez refletir durante a semana toda sobre a questão: o livro como colonização.
Não da pra eu registra isso pq eu ainda estou pensando nisso. Sinto-me assim, é você dar um diamante pra um mendigo, e ele olha, pega o diamante, olha com cara de nojo, cheira, sacode, morde, diz que essa porra tem gosto horrível, joga longe e te xinga, eu quero algo pra comer pô, vai da bijuteria pra tua mãe rapá...
Assim que tenho medo de me sentir, é ver jovens na biblioteca, perante uma idade de 14 a 16 anos, sem metas, ou projeções de metas, ambições, rodeados pelos autores que influenciaram suas épocas, reclamando de abandono do governo, o que pra mim é maravilhoso, me sinto muito melhor abandonado pelo governo rodeado por uma biblioteca com nomes que fizeram uma histórias, do que ser amparado pela Dona “maraquinha” que me dará um ponto positivo ao ler ou copiar a lição, melhor ser amparado pela liberdade de um laboratório autodidata, do que ser socorrido pelo fale inglês em 3 meses, pode to be?
Mas, voltando ao Tomie, eu não gosto daqueles biscoitos da porta, são sem sabor pra mim...
Diante do meu retorno a memória, me lembro de um tapete, que misturava livros infantis com os nossos, o que me faz lembrar que “livro infantil” é uma mera conceituação idiota, afinal eu ainda sou criança, sério, uma criança crescida, mas uma criança, afinal no tapete não tinha” código civil ou livro de constituição”, seja essa nossa maturidade digna de ser estudada.
Pois se leio Machado de Assis, utilizo das mesmas áreas do cérebro que uma criança utiliza pra imaginar o sapo da história.
Aí me pergunto, até porque ainda penso entre as janelas do ônibus, até quando trouxer 18 jovens de mais de 300 não é sim colonizar o espaço com quem já passou por isso, talvez algo a-lá matrix, desplugarem seus cérebros do mundo da “dança dos famosos” e fazerem viver de modo sério em simpósios.
Até que ponto isso é verdade, superior? Jamais, o que me torna um homem de colete é o ódio, o ódio positivo que não posso deixar a vida rolar como está...
Se eu pudesse passar alguma coisa, passaria “fascínio”, fascínio pelos detalhes...
Fica perantemente proibido que não se ensine moralidade sem antes saber apreciar a naturalidade das plantas e suas formações de folhas.
Fica proibido que me digam o que é certo ou errado de um cérebro que não se choca contra seu próprio tamanho ao estudar um pouco sobre astronomia. Recuso-me a aprender o melhor horário pra se fazer às coisas, de alguém que não entende a importância da liberdade na literatura.
É meio que ser arrogante, querer que eles sejam apaixonados pela vida de modo geral, que vejam através da caneta o fascínio de como aquilo escreve, é fazê-los ficar calados após dizer que a água do mar só não invade a terra por causa da Lua, e conseguir silêncio total após dizer isso...
É vai ser difícil, mas tamo aí na atividade tia...